Reforma Tributária pode elevar custos de instituições filantrópicas, alerta debate no Senado

Os possíveis impactos da Reforma Tributária sobre as instituições filantrópicas estiveram no centro de audiência pública realizada no dia 12 de agosto pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado Federal. A FEBRAEDA participou do encontro, presidido pelo senador Flávio Arns, que também marcou a apresentação de pesquisa da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), promovida pelo Fórum Nacional das Instituições Filantrópicas (FONIF).

Uma das principais preocupações apresentadas é que, embora a imunidade tributária das entidades seja preservada, a impossibilidade de aproveitamento de créditos relativos a tributos incidentes sobre produtos e serviços contratados pode provocar aumento dos custos das instituições.

Estudo apresentado pelo setor aponta impactos que podem chegar a 20,8% na contratação de professores como pessoas jurídicas, 16,4% na aquisição de programas de computador, 16,2% no transporte de passageiros, 15,3% no fornecimento de água e 14% em despesas como condomínio, limpeza e segurança.

Para o superintendente da FEBRAEDA, Antonio Pasin, é fundamental que a regulamentação considere as particularidades do setor para evitar que o aumento dos custos comprometa os serviços oferecidos à população.

A audiência também buscou esclarecer a natureza da imunidade tributária das entidades filantrópicas. Pasin ressalta que não se trata de renúncia fiscal ou de isenção, mas de uma imunidade prevista constitucionalmente e condicionada ao cumprimento dos requisitos estabelecidos pela legislação.

Os dados da pesquisa da FIPE ajudam a dimensionar a contrapartida oferecida à sociedade. As instituições certificadas com o Cebas somam 18.411 estabelecimentos e são responsáveis por 273 milhões de procedimentos ambulatoriais, 4,5 milhões de procedimentos hospitalares, 334.816 bolsas equivalentes na educação e aproximadamente 1,4 milhão de vagas socioassistenciais.

A presença dessa rede é decisiva em diversas regiões do país. Em 725 municípios, o único hospital geral existente é filantrópico. Em 887 cidades, o único centro-dia disponível é mantido por instituição com Cebas, enquanto em 574 municípios a única oferta local de acolhimento para pessoas idosas está nessa rede.

Para a FEBRAEDA, esses números reforçam a necessidade de aperfeiçoar a regulamentação da Reforma Tributária para que seus efeitos não reduzam a capacidade de atendimento das instituições. O desafio é assegurar que o novo sistema tributário não transforme custos adicionais em menos recursos para educação, saúde, assistência social e proteção das populações mais desprotegidas.

Assista à audiência pública da Comissão de Assuntos Sociais do Senado Federal

Febraeda

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